sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Primeira PCR!

Eram 23:30 quando fomos chamados para um senhor com cerca de 38 anos, que se encontrava inconsciente... Saímos de imediato do quartel ate ao local onde a nossa chegada já se encontrava cerca de meia dúzia de pessoas, o meu socorrista disse-me para levar a mala de primeiros socorros que ele levava o resto do material. Quando iniciamos a subida ate ao primeiro andar diz-me para voltar para trás para ir buscar o pulsoximetro pois este se encontrava a carregar, volto a descer a correr e trago-o de seguida. Quando vou a meio das escadas oiço o meu camarada a dizer para a esposa e a amiga para se fecharem na cozinha.
Ao entrar em casa, deparo-me com o senhor de barriga para cima sem qualquer tipo de reacção e o meu camarada puxa por mim, pois eu fiquei parado 2 a 3 segundos para perceber o que se estava a passar, diz-me para despachar a ligar a garrafa e começar as compressões torácicas que ele tratava do resto. Como eu me encontrava ainda sem as luvas, ele iniciou de imediato ate eu as ter colocado e começo eu a fazer, iniciamos as manobras as 23:36. O meu camarada estava com dificuldade em colocar o tubo de guedel visto que estava qualquer coisa a obstruir a via aérea. Sempre que eu acabava um ciclo, aproveitava para ir tirando a roupa para me sentir mais a vontade, ao fim de 4 a 5 ciclos já me encontrava de t-shirt, eram 23:45 quando comecei a pingar por todo o lado, só via o suor a escorrer pela cara ate a ponta do nariz e as gotas de suor a caírem para cima da vitima.
A VMER chega por volta das 23:46 e nessa altura eu tinha trocado de posição com o meu camarada, ficando eu no ambu. A médica e o enfermeiro começaram por ligar os aparelhos e dão um choque eléctrico a vítima, mas sem sucesso, a médica vai para o meu lugar para tentar desobstruir a via aérea com um tubo que mais tarde iria ficar preso por uma corda a volta da cabeça da vítima, o enfermeiro injectou-lhe adrenalina entre outras coisas que nem eu me apercebi. O meu camarada pede-me para ir buscar o aspirador a ambulância e eu sigo imediatamente, as pessoas pelo caminho perguntavam-me como ele estava, mas eu nada respondi e voltei para dentro da casa. A médica pede-me para puxar a vítima para baixo visto ela ter pouco espaço na zona da cabeça, e eu ajudei e fiquei na zona dos pés um bocado, perguntei ao meu camarada se precisava de descansar e ele respondeu que não, a médica entretanto pede-me para voltar para a cabeça. Passava pouco depois da meia noite quando a médica decide substituir o meu camarada para ele descansar um bocado, todos nós nos queixamos do tórax da vítima, pois era muito rija e quase que não descia, ela esteve lá cerca de 5 a 7 minutos e o meu camarada volta a fazer as compressões. A garrafa de oxigénio chega ao fim e o meu camarada vai buscar a outra de reserva, ao entrar em casa comenta que estava uma "comitiva" lá fora.
Eram já meia noite e dez quando a médica diz para o enfermeiro encher para terminar... Meia noite e quinze paramos!!!... Nada mais havia a fazer.
Durante este tempo todo que tivemos dentro de casa, a esposa não parava de chorar e perguntar pelo marido e no final, não quis acreditar!
Já cá fora, eu e o meu camarada tivemos a descansar e a falar um bocado do que aconteceu lá dentro, ele fumou 2 cigarros e ainda fomos dar uma volta para desanuviar, fez-nos bem! Voltamos para o quartel com a consciência de que fizemos tudo por tudo...

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